O presidente do Conselho de Administração dos Serviços de Electricidade e Águas (IRSEA), Luís Mourão, questionado se o investimento feito já se repercute na qualidade de vida do cidadão, sublinhou que os reflexos começarão a se verificar na vida do cidadão quando houver mais capacidade operacional.
“Com os investimentos que estão em curso na Barragem de Laúca, com duas turbinas operacionais, vamos também ter o ciclo combinado do Soyo, no Zaire, e assim que tivermos um volume maior, quer na produção, quer distribuição vai fazer com que os custos operacionais que são redistribuídos na tarifa para o cliente sejam menores”, explicou.
De acordo com o gestor do IRSEA, em relação a esta situação, os investimentos que são realizados pelo estado não têm retorno, por haver uma subvenção ao cliente final, porque a tarifa na sua composição não vai de encontro com o capital investido.
“O Estado não tem o retorno do capital investido e além do subsídio concedido às empresas, temos também a subvenção dos combustíveis. Sendo assim, a tarifa de Angola comparativamente aos restantes países da Região Austral do Continente Africano e os de Língua Oficial Portuguesa, tendo em atenção ao câmbio, está a 2,5 cêntimos de dólares, enquanto a Namíbia e a África do Sul estão com 7 e 8 cêntimos de dólar”, explicou.
O sector aguarda pelo reajuste que possa colocar Angola ao nível dos 6 a 7 cêntimos de dólares (cerca de 14 kwanzas) para permitir que as empresas se tornem rentáveis.
Luís Mourão considera crítica a situação que está a ser vivida pelas três empresas públicas de electricidade: Empresa de Produção de Electricidade (Prodel), Rede Nacional de Transporte (RNT) e Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE), porque têm de adquirir acessórios, assim como enfrentam dificuldades de intervir para recuperação de avarias.
Neste contexto, pretendem a alteração do quadro, dando a possibilidade do cliente pagar o valor real daquilo que consome.